sexta-feira, 19 de setembro de 2014

RECORTES 69: POUCO DE...

Um pouco da serra em teu reflexo,
um pouco de espera
e do teu castanho jeito de ver
- sem luz, sem esperança,
                                     sem danação.
Vermelho o beijo que não vêm.
Um pouco do teu pêlo,
      um pouco do teu gosto,
um pouco do teu pouco permanece,
                                   me enternece.
Um pouco do teu silêncio,
do teu vermelho – espelho. 
Um pouco é exagero poético,
vontade de verso
                         (grafismo que não passa).

Além do pouco é certeza de morte,
é beijo que não seca
                        resseca:
Helena espera, a espera...
                       infinita espera.
Anoiteço um dia sem amanhã
e cansado
visto-me de santo
e sem espanto
                    nego o sorriso
                            e o sorrir.
Um pouco de tudo é poema,
outro pouco
é a vida que não se deixar versar.
FRANCISCO VERÍSSIMO


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